Insônia crônica: por que o tratamento começa sem remédio
Uma noite ruim não é insônia crônica
Todo mundo dorme mal de vez em quando. Fala-se em insônia crônica quando a dificuldade para pegar no sono, para continuar dormindo ou para ter um sono reparador aparece pelo menos três noites por semana, há três meses ou mais, e atrapalha o dia: cansaço, irritação, falta de concentração, queda no rendimento.
O primeiro tratamento não é um comprimido
A recomendação das principais diretrizes é começar pela terapia cognitivo-comportamental para insônia, a TCC-I. Ela é feita em poucas sessões, em geral de quatro a oito, e trata as causas que mantêm o problema. Quando bem aplicada, tem efeito parecido com o dos remédios a curto prazo, e a vantagem é que o benefício se mantém depois que o tratamento termina, o que não acontece com os hipnóticos.
A TCC-I combina várias técnicas:
- Controle de estímulos: usar a cama só para dormir, acordar sempre no mesmo horário e sair do quarto se passar cerca de 20 minutos sem conseguir dormir.
- Restrição do tempo na cama: ajustar o tempo deitado ao tempo que você realmente dorme, e ir corrigindo semana a semana.
- Terapia cognitiva: trabalhar crenças como "se eu não dormir 8 horas, o dia está perdido", que aumentam a ansiedade na hora de deitar.
- Relaxamento: respiração e relaxamento muscular.
- Higiene do sono: horários regulares, pouca cafeína e álcool à noite, quarto escuro e silencioso, menos telas antes de deitar.
Higiene do sono sozinha costuma não bastar
É a primeira coisa que as pessoas tentam, e vale a pena, mas as evidências mostram que, isolada, ela tem efeito modesto na insônia crônica. Funciona melhor como parte do pacote completo.
Cuidado com a restrição de sono feita por conta própria
A restrição do tempo na cama é considerada a parte mais eficaz da TCC-I, mas não serve para todo mundo. Ela não é indicada, por exemplo, em pessoas com transtorno bipolar, epilepsia ou apneia do sono não tratada, e pode causar sonolência no começo, o que exige cuidado com direção e trabalhos que pedem atenção. Por isso, o ideal é fazê-la com orientação profissional.
Antes de tratar a insônia, procure o que está por trás
A insônia muitas vezes aparece junto de outros problemas: ansiedade, depressão, dor, apneia do sono, uso de álcool ou de certos medicamentos. Tratar essas condições faz parte do cuidado. Ronco alto, pausas na respiração durante o sono e sonolência excessiva durante o dia merecem avaliação específica.
E os remédios para dormir?
Medicamentos podem entrar quando a abordagem sem remédio não resolve, e por tempo limitado, em geral menos de três meses. Existem opções diferentes, e a escolha depende de cada pessoa.
Os benzodiazepínicos e os chamados "Z", como o zolpidem, devem ser evitados sempre que possível. Eles trazem risco de dependência, sonolência durante o dia, quedas, perda de memória e, no caso dos "Z", de comportamentos complexos durante o sono, como andar ou dirigir sem perceber. O risco é maior em idosos. Se já usa algum deles há tempo, não pare sozinho: a retirada precisa ser gradual e combinada com seu médico.
Quando procurar um médico
Procure avaliação se a insônia dura semanas, atrapalha seu trabalho ou seu humor, ou vem junto de ronco, falta de ar à noite ou tristeza persistente. A avaliação pode ser presencial ou por telemedicina, a critério do médico.
Este texto é informativo e não substitui uma consulta. Cada pessoa precisa de uma avaliação individual.
Referências
- Matheson EM, Brown BD, DeCastro AO. Treatment of Chronic Insomnia in Adults. American Family Physician. 2024;109(2):154-160.
- Ribeiro NF. Tratamento da Insônia em Atenção Primária à Saúde. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 2016;11(38):1-14. https://rbmfc.org.br/rbmfc/article/download/1271/820
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação médica individual e não promete resultados.
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