Ansiedade: quando é normal e quando vale procurar ajuda
Ansiedade faz parte da vida
Sentir ansiedade antes de uma prova, de uma entrevista ou de uma consulta importante é normal. É uma resposta do corpo que ajuda a ficar atento e a se preparar. O problema começa quando ela deixa de ser passageira e passa a mandar na rotina.
Sinais de que vale conversar com um médico
Vale buscar avaliação quando a preocupação é excessiva, difícil de controlar e aparece na maior parte dos dias, por vários meses. Ela costuma vir acompanhada de sintomas no corpo e no comportamento: inquietação, cansaço, tensão muscular, dificuldade de concentração, irritabilidade e sono ruim.
Outro sinal importante é o prejuízo na vida real: faltar ao trabalho, evitar situações, deixar de sair de casa, discutir mais com quem está perto.
Um detalhe que pouca gente sabe: ansiedade intensa pode ter outras causas, como problemas de tireoide, excesso de cafeína, uso de substâncias e outros transtornos, como a depressão. Por isso a avaliação médica não se limita a ouvir o que você sente, ela também procura essas outras explicações.
Como o tratamento é escolhido
O caminho depende da intensidade dos sintomas e é decidido junto com você. Nos casos leves, o cuidado costuma começar com orientação sobre o que é a ansiedade e acompanhamento ao longo do tempo. Nos moderados, entram a psicoterapia, o medicamento ou os dois. Nos graves, em geral os dois juntos.
A psicoterapia com mais evidência é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ensina a reconhecer e lidar com os pensamentos e comportamentos que alimentam a ansiedade. Em estudos, ela reduz os sintomas mais do que a lista de espera ou o placebo, e o benefício pode durar até 12 meses. Também existe a TCC por videochamada, que ajuda quem mora longe de um profissional.
Quando há indicação de medicamento, antidepressivos da classe dos ISRS, como sertralina e escitalopram, estão entre as primeiras escolhas. Eles não funcionam de um dia para o outro: os primeiros efeitos aparecem em duas a quatro semanas e a melhora segue nos meses seguintes. Depois de uma boa resposta, o tratamento costuma continuar por pelo menos um ano antes de se pensar em parar, e a retirada é gradual, sempre com o médico.
E os calmantes?
Os benzodiazepínicos agem rápido, mas o uso prolongado traz riscos: dependência, prejuízo de memória, quedas e acidentes. As orientações recomendam, quando forem usados, que seja por períodos curtos, em geral de duas a quatro semanas, e com ainda mais cuidado em quem tem histórico de uso problemático de álcool ou outras substâncias.
Se você já usa um desses remédios há tempo, não pare por conta própria. A retirada precisa ser gradual e acompanhada.
O que ajuda no dia a dia
Hábitos não substituem o tratamento quando ele é necessário, mas fazem diferença. Dormir e acordar em horários regulares, reduzir o álcool, evitar café e outras fontes de cafeína após as 15h e praticar exercício físico com regularidade ajudam a diminuir a ansiedade.
Quando procurar ajuda com urgência
Se a ansiedade vier junto com pensamentos de se machucar ou de morrer, procure ajuda agora. No Brasil, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188 e o SAMU pelo 192. Você também pode ir à UPA ou ao pronto-socorro mais próximo.
Este texto é informativo e não substitui uma consulta. Cada pessoa precisa de uma avaliação individual.
Referências
- BMJ Best Practice. Generalised anxiety disorder: management approach. https://bestpractice.bmj.com
- Ministério da Saúde. Linha de Cuidado: Transtornos de Ansiedade no adulto. https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/ansiedade/
- Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 34: Saúde Mental. Brasília, 2013. https://aps.saude.gov.br/biblioteca/visualizar/MTIxMQ==
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação médica individual e não promete resultados.
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